26 outubro 2007

Luang Por Sumedho de novo em Portugal


Luang Por Sumedho, mestre da tradição do budismo da Floresta (Theravada) e fundador do Mosteiro Amaravati em Inglaterra, estará em Portugal entre 26 de Novembro a 4 de Dezembro de 2007.

O programa consta de duas palestras em Lisboa: no dia 27 de Novembro às 19h00, na União Budista Portuguesa e no dia 29, às 18h00 na Fundação Oriente.

Coordenação - e-mail: geral@fundacaomaitreya.com

Moradas: União Budista Portuguesa: Calçada da Ajuda, 246, 1ºDto –Lisboa

Fundação Oriente: Rua do Salitre, 66 - Lisboa

19 outubro 2007

Os nossos Círculos


Na sequência do artigo anterior, sobre o Círculo de partilha das quartas, aqui estão os temas dos "círculos", actualmente na UBP Porto

Círculo Mente de Principiante - a partir de 30 de Outubro, a sessão de meditação das terças-feiras (às 20h) inclui um período de reflexão e diálogo sobre o livro de culto do Zen, Mente Zen, Mente de Principiante de Shunryu Suzuki (e não, a Asa não nos paga para fazermos isto :)

Círculo de Partilha, quartas-feiras às 19h - neste momento estudamos As Quatro Nobres Verdades, segundo um ensinamento de Ajahn Sumedho

Encontrar o Nós, círculo de meditação e reflexão, quintas-feiras às 20h30 - o livro estudado neste momento é A Raiva, de Thich Nhat Hanh.

A entrada nestes círculos é livre.

(imagem de Color Wheel Love :)

18 outubro 2007

ciclos


imagem: Arte de David Titterington

Círculo de Partilha, quartas-feiras


Aquilo a que se chama “a psique humana” pode ser descrita simplesmente como formada por infinitas camadas mentais que nada mais são do que uma rede de experiências que se sobrepõem e se sustentam umas às outras.

O desenvolvimento espiritual é visto assim como um “descamar” e é frequentemente comparado (é só uma imagem!) ao descascar de uma cebola: cada camada retirada expõe outras camadas, até, idealmente, desvendarmos o núcleo, aquilo que realmente somos, que segundo a tradição budista, é naturalmente puro e luminoso.

Tudo aquilo a que geralmente chamamos negativo, quer a nível das emoções quer a nível dos pensamentos, não pode contaminar esse núcleo, a nossa natureza essencial – mas pode encobri-lo.

Portanto todo o trabalho a que chamamos “espiritual” (embora este seja mais um conceito, e quando avançamos, deixamos de ver diferença entre espiritual e material), todas as práticas e ferramentas utilizadas no budismo e noutras tradições visam atravessar essas camadas, eventualmente perceber que elas não existem por si, que foram construídas, formadas pelas nossas vivências e só são mantidas pela força dos nossos hábitos e crenças. Visam aceder a essa parte “real” de nós mesmos, à nossa sabedoria e compaixão intrínsecas, que na verdade não é “nossa”.

Um dos métodos essenciais para atravessar essas camadas, é o silêncio. O silêncio permite-nos ver que aquilo que acreditávamos ser sólido é na verdade transparente. Quando acalmamos o nosso tagarelar interior, o nosso núcleo luminoso pode enfim irradiar. Por vezes apenas em pequenos momentos “privilegiados”. Com a prática, tornamo-nos mais e mais familiarizados com a nossa maneira natural de ser e respondemos ao mundo e aos desafios desse lugar que nos fomos habituando a percorrer – que não é porventura “nada de especial”, apenas um lugar mais saudável, criativo e positivo.

Outros métodos podem ser utilizados, eventualmente tantos quantos as pessoas existentes. E a mesma pessoa pode também descobrir que o recitar de um mantra que hoje tem uma ressonância e um significado essencial, amanhã pode perder o sentido, e este ser descoberto no silêncio que contém todos os sons. Ou, pelo contrário, pode descobrir que todos os sons contêm o silêncio, e estar em paz com todos os sons.

De uma certa forma, não importa muito por onde se começa. Damos o passo seguinte, passamos à inspiração seguinte, naturalmente. Se seguimos uma via que dá mais ênfase à sabedoria, vamos descobrir que ela se manifesta como compaixão. Se seguimos uma via que dá mais ênfase à compaixão, mais tarde ou mais cedo percebemos que a âncora é a sabedoria.

O método que propus que fosse utilizado nestas sessões das quartas, essencialmente, alia a compaixão à sabedoria, o que é um grande desafio. Estar atentos à nossa voz, à nossa verdadeira voz, estar atentos à voz do outro, ouvirmos respeitosamente a voz do outro, conectarmo-nos com esse espaço de abertura mais próximo do que realmente somos, a que alguns chamam “mente de principiante”, em que tudo está disponível, novo e fresco… O método baseia-se ainda no pressuposto, simples, de que temos tudo o que precisamos, que está tudo “aqui”, presente, que é possível parar, debruçarmo-nos e colher esse agora, novo a cada instante… Ao mesmo tempo, se bem que o “trabalho” seja feito em partilha, com os outros, o caminho é também solitário, e as nossas reacções aos outros dizem mais sobre nós do que sobre os outros propriamente ditos.

Às vezes descrevo a sensação de estar num círculo de sabedoria como estar perto de um abismo. Pois é um risco. Ser real e honesto implica dizer coisas que às vezes nunca dissemos antes, ou nunca pensamos antes, ou não assim dessa forma. Mas para que isso seja possível, também é necessário que nos sintamos num espaço sagrado e seguro. Para isso temos de ter confiança que os outros nos vão ouvir, aceitar-nos, que não vão criticar-nos, que não teremos de enfrentar consequências desagradáveis. Co-criar este espaço seguro é outro desafio importante mas muito poderoso: Sitting in a circle helps us to fully see each other as peers sharing meaning, creativity, and a common center. I believe the most basic unit of co-intelligent social life is people sitting in a circle listening deeply and speaking from the heart (Sentar num círculo ajuda-nos a ver-nos plenamente como parceiros que partilham sentido, criatividade e um centro comum. Acredito que a unidade mais básica de vida social co-inteligente são pessoas sentadas em círculo, a ouvir profundamente e a falar com o coração - do site The Co-Intelligence Institute).

Para auxiliar-nos neste processo de co-descobrimento, é necessária alguma estrutura, e concordámos com algumas regras, à semelhança de outros círculos. Aqui estão:

1: Honra o círculo como um espaço e tempo sagrados iniciando-o e finalizando-o com rituais simples. Um ritual cria uma experiência sensorial partilhada e demarca-a da vida de todos os dias. Exemplos de rituais: acender uma vela, acender incenso, respirar profundamente, partilhar um momento de silêncio, ouvir uma meditação guiada…. Pode-se ser tão criativo quanto se quiser.

2: Cria uma coesão ao concordar sobre um tópico ou intenção. Pode ser uma visão do futuro, curar feridas, ir “dentro” para aprender mais sobre nós mesmos, tomar uma decisão ou planear acções que enriquecem e sustentam a nossa vida e a dos outros. Um grupo pode escolher um ponto de vista específico às suas necessidades ou pode permitir que os tópicos surjam, determinados pelas necessidades individuais. Uma pergunta é geralmente uma forma interessante de enquadrar um tema. Essa coesão pode ser representada por um centro físico no meio do círculo, que simboliza a luz do Dharma, objecto específico de estudo do nosso círculo de partilha, à semelhança dos famosos versos de Dogen:
To study the Way is to study the self.
To study the self is to forget the self.
To forget the self is to be enlightened by all things.
To be enlightened by all things is to remove the barriers between one’s self and others.

3: Pede para seres inspirado pelos valores humanos mais elevados, tais como compaixão e verdade, pela sabedoria dos que já caminharam antes de ti e pelas necessidades dos que hão-de vir. Uma pessoa pode falar pelo grupo, ou cada pessoa pode fazer uma invocação pessoal.

4: Expressa gratidão pelas bênçãos e ensinamentos da vida. Reconhece a nossa interdependência com todas as coisas. Em silêncio, ou à vez, agradece essas pequenas e grandes coisas que nos enriquecem e alimentam.

5: Cria uma estrutura para uma participação plena, profunda e sincera. Cada pessoa deve poder falar sem interrupção e sem conversas cruzadas. Sempre que for útil, usar o “testemunho” (talking stick) ou outro objecto com valor simbólico. O objecto pode passar à volta do círculo ou ser retirado do meio para depois ser colocado novamente no centro. Tudo o que for dito deve permanecer confidencial, “dentro do círculo”.

6: Ouve com o coração e serve de testemunha compassiva a outras pessoas no círculo. Para ser uma testemunha compassiva, é necessário prestar atenção ao que é dito sem interpretar, julgar ou tentar “consertar” ou salvar a pessoa que fala. Também significa uma vontade de descobrir algo sobre nós mesmos nas histórias das outras pessoas.

7: Fala com o coração e da tua experiência directa. Quando te sentires movido a falar, fá-lo com atenção e cuidado. Evita uma linguagem abstracta e conceptual e permanece em contacto tanto quanto possível com os teus sentimentos. Ao desenvolver esta capacidade, podes ser levado a partilhar esses sentimentos e a dizer coisas difíceis mas sem “auto-flagelação” e sem acusar os outros.

8: Dá espaço para o silêncio de forma a permitir que a reflexão, a meditação, a intuição e um sentido do sagrado possam emergir com a progressão do grupo.

9: Cada membro pode ser o co-facilitador do processo. Essa pessoa prepara o espaço físico, inicia os rituais de abertura e fecho e facilita o consenso sobre um tópico. Encoraja o processo de crescimento do grupo. Qualquer membro pode designar-se para essa tarefa.

10: Compromete-te a uma relação baseada na confiança e amizade com cada pessoa do círculo. Estende essa atenção e amizade a outras pessoas fora do círculo, à Terra e todas as criaturas, ao aplicar a atitude e capacidades desenvolvidas dentro do círculo, na vida do dia-a-dia.

um abraço a todos
Margarida

13 outubro 2007

Dharma marketing

é bom saber que se está a fazer noutros lados :)
http://www.buddhistcouncil.org/index.php?q=node/77

Retiro de fim de ano


Descobrindo o Caminho Sereno do Buddha
De sexta-feira 28 de Dezembro (pelas 19h) a 1 de Janeiro de 2008 (termina após o pequeno-almoço) - o silêncio termina depois do almoço de 31 de Janeiro; a partir daí, haverá actividades mais "sociais" e poderão eventualmente chegar familiares ou amigos que queiram participar na passagem do ano no centro de Retiros.

Local: Braga, Vila Verde, Casa da Torre, ver indicações de como chegar, aqui

Apoio: delegação do Porto da União Budista Portuguesa

Nada melhor que fazer a passagem para o Novo Ano na tranquilidade da meditação e na sabedoria das palavras do Buddha. Como vivemos nosso ano? Como queremos iniciar o próximo? O que podemos fazer para entrar no novo ano com o coração sereno?

Neste retiro de três dias, buscaremos compreender a essência da meditação buddhista tal como exposta pelo Buddha e preservada pela escola Theravada, a mais antiga ordem buddhista no mundo. O Theravada é a escola buddhista presente no Sri Lanka, Thailândia e Birmânia.

De forma gradual, as instruções tradicionais da legítima tradição Theravada no tocante à meditação, com prática em posição sentada e andando, serão introduzidas, o que servirá como base de entendimento da visão buddhista da mente e corpo. Também serão introduzidas as técnicas tradicionais focadas no desenvolvimento da tranquilidade e concentração.

À medida que mente e corpo se assentam, passamos para a prática das meditações focadas no desenvolvimento da visão penetrante, uma visão clara da realidade da mente e corpo. Discutiremos também algumas das estratégias do Buddhismo Theravada para levar a prática na almofada para a vida diária, o compartilhar o Dhamma (o ensinamento do Buddha) e beneficiar os seres.

No dia 31, falaremos sobre os quatorze princípios de Convivência Harmoniosa ensinados pelo Buddha, e na tarde e noite teremos oportunidade para uma confraternização. Todo o retiro será dado de uma forma gradual e detalhada, com espaço para esclarecimento de dúvidas e acompanhamento individual.

Professor:

Ricardo Sasaki é psicólogo clínico e diretor-fundador da Comunidade Buddhista Nalanda do Brasil. Formalmente buddhista por 26 anos e professor de Buddhismo pelos últimos 18 anos, recebeu a certificação como Dhammacariya (professor de Dharma) do Aggamahapandita Rewata Dhamma Sayadaw - um dos mais renomados monges e mestres de meditação e Abhidhamma (a psicologia buddhista), da linhagem birmanesa do Buddhismo Theravada. Ricardo Sasaki é também o responsável na América do Sul pela veiculação dos ensinamentos de Ajahn Buddhadasa, grande expoente da linhagem thailandesa do Buddhismo Theravada no século XX. Estudou sob alguns dos mais renomados professores buddhistas. É autor de quatro livros, tradutor e um dos diretores-fundadores do Colegiado Buddhista Brasileiro, uma entidade sem fins lucrativos que congrega os professores buddhistas atuando no Brasil.

Mais informações brevemente, entretanto quanto ao custo podemos adiantar que a diária na Casa da Torre é de 35 euros.

Mais no site http://nalanda.org.br

08 outubro 2007

Workshop de Chi-Kung

FORMAÇÃO U.B.P.-PORTO 2007
DIA 14.10.2007 às 14H na R. DA RESTAURAÇÃO, 463-2º
INSCRIÇÕES: paulofernandes999@gmail.com ou ubporto@gmail.com
máximo 12 pessoas, mínimo 3
valor 35€ (estudantes 30€)
FORMADOR: PAULO FERNANDES
Módulo 1
Duração - 3:30 horas
Qi Gong das 18 terapias anterior
O Chi Kung (Qi Gong) 18 Terapias (exercícios terapêuticos e preventivos) foi criado pelo famoso médico ortopedista, especialista em Tui-ná, Dr. Zhuang Yuan Ming. O método, desde que foi lançado em 1974, obteve uma grande aceitação dos pacientes e praticantes de exercícios, devido à sua objectividade, natureza científica e simplicidade. Os exercícios são de fácil aprendizagem, tratam os sintomas, vai de encontro às necessidades dos praticantes e o resultado de sua prática é eficaz.
18 Terapias Anterior – previnem e tratam de dores no pescoço, nos ombros, nas costas, na região lombar, nos glúteos e nas pernas

PROGRAMA
Noções básicas
Exercício nº1 movimento do pescoço
Exercício nº2 arquear as mãos
Exercício nº3 estender as palmas para cima
Exercício nº4 expandir o peito
Exercício nº5 despregar as asas
Exercício nº6 levantar o braço de ferro
Exercício nº7 empurrar o céu e inclinar para o lado
Exercício nº8 girar a cintura e projectar as palmas
Exercício nº9 rodar os rins
Exercício nº10 abrir os braços e flexionar o tronco
Exercício nº11 espetar com a palma para o lado
Exercício nº12 tocar os pés com as mãos
Exercício nº13 rodar os joelhos
Exercício nº14 flexionar a perna e girar o tronco
Exercício nº15 flexionar e esticar as pernas
Exercício nº16 tocar o joelho e levantar a palma
Exercício nº17 abraçar joelho contra o peito
Exercício nº18 passos marciais
Exercícios de concentração energética do Qi
exercícios de meditação taoísta "abrir a porta do céu e acalmar o espírito"

Vigília a favor do povo Birmanês

hoje, 8 de Outubro às 19h, no Marquês de Pombal (junto à estátua), em Lisboa.
Vigília de solidariedade com a heróica luta não-violenta do povo birmanês. Agradecemos que tragam uma vela, uma t-shirt (ou camisa)vermelha vestida e cartazes que manifestem o sentido desta acção, respeitando o princípio da não agressão.
União Budista Portuguesa / Amnistia Internacional
Para mais pormenores... contacte: Filipe Gomes, telem 968031683

03 outubro 2007

Budismo e paz


Vejam o site Buddhistas Engajados para informação sobre algumas acções propostas de apoio aos monges da Birmânia.